"Um caminho que se percorre não com pernas, mas com coração. E onde o único desafio que vale, é percorrê-lo por inteiro."


sexta-feira, 28 de março de 2008

Já não existem...

A matemática dos meus dias já se foram...
Agora só restou a poesia.Carro que corre, telefone que toca, bicicleta que voa...
Voa através do tempo em busca de alguma infância perdida.

E o telefone volta a tocar, me chamando de volta para a realidade. Pronta pra falar o textinho decorado '' Bom dia! No que posso ser útil? ''... Mas era uma gravação. Foi registrado um atraso no pagamento, a gravação de voz feminina falou do outro lado da linha.

A ferrugem dos meus dias passa rápido por meus olhos em preto e branco.
Brindo as dores e a alegria, brindo com a água da torneira ao nosso pão de cada dia.

Depois de muito sacrifício, e de ter passado por tantas mãos a mulher dá o dinheiro ao padeiro. Já passou por tantas mãos... O dinheiro ou a mulher? Dizem que há uma ligação entre essas duas palavras. Ou talvez, palavras já não existam.

Quem sabe isso tudo não passa de um devaneio?
Algumas letras em uma combinação esquisita... Meia noite e nove no relógio e o tempo passa. Passa rápido como um pássaro voando, ou caindo depois de levar um tiro. Cai muito rápido. Cai brincando assim como o tempo brinca com o nosso mundo. Ou talvez, o tempo já não exista.
Vejo sonhos ao redor, e o cobrador dormindo no ônibus. Ônibus que me leva ao meu destino. Destino esse que a cigana leu na minha mão por dois reais na estação.Ou talvez, as palavras, o tempo, o dinheiro, a cigana e minhas mãos, já não existam...