"Um caminho que se percorre não com pernas, mas com coração. E onde o único desafio que vale, é percorrê-lo por inteiro."


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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Anestesia

Anestesiada.

Sem sentir os sentidos.

Sem sentido.

 

Cantando a canção que já foi começada, sem saber muito bem a letra.

Dançando sem saber os passos.

Inventando e reinventando.

 

Pensando em deixar pra lá.

Não pensar.

Ir levando.

 

Acordando cedo e não perguntando.

Questionando? Sempre.´

Em voz baixa na minha mente.

 

Se eu fosse jovem seria diferente.

Um mundo inteiro pra descobrir, mas minha janela continua fechada.

Preguiça.

 

Confusão muito da confundida.

Tudo bem, quer saber?

Não arrependida.

 

Deixa pra amanhã.

Hoje talvez curtir a ultima preguiça.

Preguiça bem da preguiçosa…

Ah… delícia.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Reencontros

Viver é completar-se.
*
Buscar no seu caminho as pequenas coisas que de alguma forma, fazem parte de quem você é, do seu ser, da sua essência.
*
Podem ser pessoas, caminhos, luzes, atitudes, brincadeiras, olhares ou objetos.
Pode ser um lugar, uma sombra... Um caminho, uma profissão.
Um chamado.
*
Algo que faça seu olhar brilhar mais do que nunca.
Algo que se encaixe.
A vida é uma busca pelos pedacinhos desencaixados de nós mesmos.
*
Antes de nascermos, parece que fomos quebrados.
Despedaçados.
Pequenos caquinhos foram arremessados pelo mundo.
Cabe a nós a tarefa de juntá-los.
*
Pode ser uma pessoa.
Ou não.
Pode ser simplesmente uma música, o toque suave do piano.
Leve. Bonito e belo.
A delicadeza de um gesto.
*
Algo que você sente que nasceu pra fazer.
Aquilo que te faz dizer: "Aqui é o meu lugar".
Eu pertenço a isso, eu mereço isso.
*
Não existe nada mais delicado, mais sincero e mais lindo do que encontrar pelo mundo um de seus próprios pedaços.
*
Reencontrar-se no outro.
Reencontrar-se em si mesmo.
Reencontrar-se num som...
Num gesto...
Num lugar...
Num olhar...
Num beijo...
*
Reencontrar-se é colher um pedaço seu de algum lugar.
É inesquecível e é inexplicável.
*
Espero que os caminhos sejam iluminados e que possamos nos reencontrar sempre.
*
Porque é no reencontro que é possível respirar novamente, tomar fôlego.
Como quando prendemos a respiração numa brincadeira e respiramos todo o ar possível em seguida.
*
Que o brilho do olhar nunca se apague, e que as bençãos do mundo caiam sobre nós.
*
Sempre.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Pisca pisca

Um quarto colorido ela enfeitou com muitos pisca piscas.
Recortes de revistas, fotos e cor.
Finalmente, a fase das paredes brancas já passou.
.
A incerteza ficou.
Ficou de repente quenem a brisa da janela.
Cicatriz deixou.
.
Tudo bem, não tem problema.
Um sorriso de gratidão sua boca formou.
E a quase-certeza de que tudo à de vir, enfrentar e reagir.
Deixa passar. Não mobilizou.
.
Mobilizar as esperanças não é mais possível.
Todo obstáculo é flexível.
.
Tudo ficou e tudo mudou.
Restam na casa lembranças de um verão de outrora insensível.
Antigas bolinhas de natal, degraus e gavetas.
Tudo bem. Não faz mal.
.
Hoje ela montou uma árvore de natal.
A árvore que sempre quis e nunca conseguiu.
Não ficou tão bonita quanto antes, meio feia e torta. Desiquilibrada.
Mas enfim, autêntica, verdadeira, junção da hora.
.
Ai estrelinhas.
Tanta coisa pra falar.
Vidas inteiras pra contar.
Cuida da gente lá de cima.
Brilha e ilumina, como as novas luzes do quarto dela.
.
Esperanças de novos sonhos, obstáculos não vão encontrar.
E todo desafio ou problema, vão ter de esperar!
Pois a hora é agora e não tem jeito.
.
Adeus, vou embora, façam bom proveito.
.
.
.
.
.
.
.

domingo, 30 de outubro de 2011

Delicado

O sonho de Macário sempre foi ter um filho homem. Logo depois
de casar, sua mulher engravidou: uma menina. E assim, a cada nova gravidez, uma
nova menina. Depois de sete meninas, e do conselho de todos para que
desistisse, Macário resolveu fazer uma última tentativa: ou tinha um filho
homem agora, ou não tinha mais filho nenhum. E assim nasceu Euzébio,
Euzebiozinho, como o chamavam. O pai não se aguentou de tanta felicidade e logo
disse “Agora sim posso morrer”. E de fato, quarenta e oito horas depois, teve
um infarto durante o almoço.


Euzebiozinho cresceu amado e paparicado por todos, ou melhor,
por todas, pois cresceu em meio à companhia de suas sete irmãs, de sua mãe, de
suas tias e de suas vizinhas, assim como a costureira e a faxineira da família.
Euzebiozinho tornou-se uma flor de menino. Com quatro anos já tocava piano, aos
seis anos já sabia bordar, aos oito anos já preparava bolos para suas irmãs; e assim
foi crescendo Euzébio, rodeado de companhias femininas.

Chegou aos dezessete anos sem nunca ter dito um palavrão,
nunca ter andado com meninos, nunca ter tragado um cigarro. Era delicado. Um
exemplo de menino bonito e bem comportado. Não se podia desejar maior
doçura de modos, idéias, sentimentos.

Um dia, um tio do rapaz vem visitar e família, e encontra
Euzébio fazendo as unhas com suas irmãs. Impressionado com os modos delicados
do rapaz, pergunta se já tem ou teve uma namorada. Não. O tio então fala à
família o quanto estão “estragando” o rapaz, mostrando ser extremamente
necessário que Euzébio case o mais depressa possível.

Começou então a busca pela namorada ideal. Todas as mulheres
da casa procuraram por toda a cidade uma mocinha que fosse perfeita para Euzébio.
Um dia, apresentaram ao rapaz uma moça chamada Iracema, uma linda menina de
dezessete anos, mas com corpo de mulher casada. A menina era bonita, e um tanto
atrevida.

Assim começou o namoro. Namoravam todas as tardes, com todas
as mulheres da família vigiando. Após uma nova visita do tio, e de uma nova bronca
da parte dele, pararam de vigiar o namoro de Euzébio, e passaram a deixá-lo a
sós com a pequena.

A menina tentava de todas as formas: dava beijos em seu
rosto, mandava-lhe sorrisos, fazia-lhe carinhos e até lhe deu um beijo no
pescoço. Euzébio, tímido, apenas se retraía e se esquivava.

Foi marcado o casório.

Todas as mulheres começaram os
preparativos para o casamento, todas estavam animadas, menos Euzebiozinho. Até
o dia em que a pequena chegou em sua casa com revistas de vestidos de noiva.
Euzébio se encantou. A partir daquele momento, se tornou o responsável pelo
vestido da noiva. Ficava maravilhado em pesquisar modelos, lantejoulas, rendas
e todas as opções de tecidos, buques, grinaldas e véus. Desenhou e junto com a
costureira fizeram o vestido perfeito. “Não existe nada mais lindo no mundo do
que uma noiva”, dizia ele.


Um dia antes do casamento, o vestido sumiu. A família ficou
apavorada. Procuravam o vestido por toda a parte, em toda a casa. Até a polícia
da cidade foi chamada, e nada de vestido de noiva. Cansados de tanto procurar,
decidiram descansar, e decidir o que fazer no dia seguinte.


Euzébio, que roubara o vestido de noiva teve a madrugada
inteira para ele, sem pressa. Tomou um longo banho, com sabonete espumoso,
perfumou-se com água de colônia diante do espelho. Da água de colônia, passou
ao pó de arroz, ao rouge e ao batom.


Finalmente vestiu o vestido de noiva, com a grinalda e o véu. Apanhou o disco da marcha nupcial e o colocou
na vitrola, no volume máximo.

Pouco depois a família acorda e vai até seu quarto, ver o que
está acontecendo.


Vestido de noiva, com véu e grinalda, enforcara-se


Euzebiozinho, deixando o seguinte bilhete: “Quero ser enterrado assim.”.





--baseado no conto Delicado, de Nelson Rodrigues--

domingo, 2 de outubro de 2011

Por que?

Uma pessoa muito sábia, uma vez nos alertou a sempre nos questionarmos o por que...
Por que de fazermos o que fazemos...
Abrindo mão de tudo e de todos...
Nos entregando sem reservas...
Mesmo que com muito medo, passando por cima dele...
E eu nunca soube muito bem como responder essa pergunta, o por que...
Mas nunca tive dúvidas, só certezas.
Como alguém que anda com um venda nos olhos e sai correndo o mais rápido que pode, sem medo de bater, de quem irá encontrar, do que irá sofrer, dos sabores que experimentará, dos bons e maus momentos.
A sensação é tão forte que o frio na barriga é permanente.
A adrenalina é máxima até quando estamos dormindo, porque nossos sonhos se misturam com a nossa realidade, afinal, vivemos um sonho.
Sofremos em um paraíso.
Voamos no chão.
Vivemos da esperança em rir todos os risos e chorar todos os prantos.
Somos pela natureza insatisfeitos, incompletos, buscamos na arte uma forma de preencher esse buraco que a vida nos deixou.
Vivemos nos testando, nos maquiando, nos quebrando. Vivendo e morrendo.
Temos o poder de viver muitas vidas dentro de uma.
Um gato tem sete vidas? Nós temos muito mais que sete.
Vivemos em um quadrado negro onde tudo pode.
Sentimos em nosso corpo o inexplicável. O que nos mantém vivo.
Colocamos em nossa boca muitas palavras, falas do poeta que roubamos para nós, transformando-as em parte da nossa alma.
Visão romântica? Sim em todo o nosso ser.
Como responder o por que de cada dia.
Sonhamos mais do que todos.
Temos dentro de nós tudo e mais um pouco.
Absorvemos a experiência do mundo.
E quem sabe de tudo isso?
Apenas nós...
Atores nossos de cada dia.
Obrigada pela oportunidade de sofrer os mais terríveis sofrimentos, de brincar das mais deliciosas brincadeiras, de chorar por todas as felicidades, de jogar e de envolver.
Evoé! Jovens e velhos atores.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Atuar!

Meu cavalo tá pesado
Meu cavalo quer voar
Meu cavalo tá pesado
Meu cavalo quer voar

Atuar
Atuar
Atuar pra poder voar!

Atuar
Atuar
Atuar pra poder voar!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lunachicas!


Trabalho realizado pela Trupe Lunachicas na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorreu do dia 11 ao dia 22 de agosto.

A trupe é originalmente formada por:
Jessica Miranda
Karine Bertagnoli
Lívia Lunardi
Melca Medeiros

Nosso email: trupelunachicas@gmail.com
Siga-nos também no twitter: www.twitter.com/TrupeLunaChicas





domingo, 27 de junho de 2010

Um pouco da minha vida no Moulin Rouge






O Moulin Rouge.
Uma casa noturna.
Um salão de dança e um bordel.
Um reino de prazeres noturnos, aonde os ricos e poderosos vem brincar com as jovens e belas criaturas do submundo.
Cantora de cabaré, dançarina de cancan...

Where is all my soul sisters?
Let me hear your flow, sisters
Hey sister, go sister, soul sister, flow sister
Hey sister, go sister, soul sister, go sister


It's time to get out
Step out into the street
Where all of the action
Is right there at your feet
Well...


quinta-feira, 24 de junho de 2010

Pra mim

Enlouquecida e descabelada ao virar as últimas folhinhas do meu calendário fictício.
Dias voaram, semanas desapareceram e meses se foram.
Tanta, mais tanta, mais tanta coisa em minha vida chegou, aconteceu, mudou, acabou.
Agora me encontro em um estado estável estranho.
Poemas? Não quero.
Histórias? Não muito.
Pensar? Por favor não!
Para mim, hoje, apenas algumas palavras dos últimos fatídicos acontecimentos de meus desventurados dias meses semanas do imaginário calendário alado.


Coragem.
Verdade.
Sem fôlego.
Noites em claro.
Fatos.
Beijos.
Ilusão.
Lágrimas.
Papel.
Marcas.
Mais noites em claro.
Música.
Dança.
E 7 e 8.
E mais coragem.
Olheiras.
Arrependimento.
Sentimento.
Dor.
Palco.
Luz.
Medo.
Show.
Caminhos.
Panos, muitos panos.
E mais muitas noites em claro.
Tristeza.
Desapego.
Cansaço.
Distanciamento.
Corpo.
Prazer.
Desprazer.
Substâncias.
Pessoas.
Tudo e mais um pouco.
O próprio ralo onde tudo passa.
Sugador de experiências que sou.
Enfim foi.
Tantas e tantas coisas.
Agora talvez...
Um tempinho pra mim?
Sim... por favor...
Pensar?
Não... não obrigada.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Ninguém

Quatro personagens:
Todo Mundo / Alguém / Qualquer um / Ninguém

Todo Mundo é Alguém
Ninguém é Ninguém
Todo Mundo quer ser Alguém,
Mas não um "Alguém Qualquer Um", um "Alguém Alguém"

Afinal, quem gostaria de ser.... Qualquer Um?
Um Ninguém?
E nessa luta de Todo Mundo querendo ser Alguém
Qualquer Um passa a ser Ninguém

Mas essencialmente, o que é ser Alguém?
Afinal de contas Todo Mundo é Qualquer Um!
Qualquer Um?
Ninguém

Texto feito com base no texto "Das Expressões", para exercícios cênicos com direção de Guilherme Santanna, no curso de Teatro da Universiadade Anhembi Morumbi.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Palavra

Vida.
Fazê-la, vivê-la, senti-la
Entender e mergulhar na sina

Uma lágrima, um riso
Uma verdade de mentira
Nossa estrada perdida
Brincadeira atrevida

Vida.
Entre pessoas e conflitos, laços e sorrisos
Abraços e suspiros, bonecos indecisos

Vida.
A vida exposta, exibida
Realidade distorcida
Aquela que canta, encanta, entristece e anima
Aquela, que enfim, no palco se firma

Retratada, escolhida
Estudada, desenhada e vivida
A vida de se imitar a vida
E viver sempre novas vidas revividas

O ato.
Ar de viver.
Vida correspondida.

Exercício feito com supervisão do diretor Guilherme Santanna, no segundo ano de teatro da Universidade Anhembi Morumbi.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Como construir um espetáculo?

Muito bem... Vamos por passos simples, e cobrindo o básico...
Este é meu projeto do 1º ano da Faculdade de Artes Cênicas, da Universidade Anhembi Morumbi. A matéria se chama "Projeto Experimental".
Sejam bem vindos a um resuminho bem básico do nosso processo experimental de 5 meses de trabalho... =)

Parte de mim
Músicas de Dorival Caymmi
Orientação: Paulo Marcos
Elenco: Carla Marco, Dan Sinclair, Guilherme Holland, Guto Moura, Lívia Lunardi, Melca Medeiros e Nadja Mahlmann



Primeiramente, encontre um grupo que você tenha afinidades, e com muita garra pra trabalhar...

Passe muitas horas da sua vida discutindo, odiando e amando muito cada pessoa do grupo.
Tenha um convívio intenso ao máximo. Diário.
Conversem infinitamente, ensaiem, e pense em cada mínimo detalhe do espetáculo.
Pense no dinheiro, faça um orçamento, e decida a melhor forma de arranjar a grana em grupo.


Nós decidimos por trabalhar muito pedindo dinheiro no farol, levando nossos clowns...


Após passar horas e horas a fio debaixo do sol, sendo rejeitado por alguns, e acolhido por outros, finalmente conte as moedas e veja que você tem o dinheiro para seu tão sonhado projeto!
Compre os figurinos e o material de cenografia, e continue ensaiando muito, infinitamente...
Não se esqueça, não se canse nunca!
Continue com a paixão pelo seu projeto em mente!
Ensaie realmente muito, e continue ensaiando...
E continue ensaiando...

Faça testes de maquiagem para ter certeza de que tudo sairá conforme o planejado...


Compre o material de cenografia, e mãos na massa!
Construa o seu cenário com muito amor e carinho!
Dê uma pequena pausa para fazer um lanche na rua, no lugar mais barato que encontrar, afinal, são todos artistas, e estão todos falidos...

E volte ao trabalho!!!



Em dia de apresentação, chegue muito cedo. As 7 da manhã.
E comece a pensar em como fazer funcionar sua cenografia...

Esse é um bom momento para você perder o medo de levar choque ou despencar de cima do teatro... Suba lá, e comece a arrumar a iluminação e o cenário...


Não desista!!! Coragem! E não caia!

Finalmente, chegando na hora...
Faça sua maquiagem com calma, não erre nada!

Vista seu figurino, e comece a aquecer sua voz...

Ainda dá tempo de comer uma maça se você quiser...


Depois do aquecimento, vá para o palco e simplesmente...


CONFIE! E DÊ O MELHOR DE SI!




Depois de arrasar no espetáculo... receba os aplausos do público! E sinta-se orgulho de seu trabalho!


Agradeça seu orientador, por tudo! E por tudo que você aprendeu com ele.

Agradeça sua amiga fotógrafa, que fez de graça as fotos do espetáculo pro seu grupo!

Valeu Kááá! Você arrasou! Muito Obrigada!

E no final, tenha sempre em mente todo o processo, e seu aprendizado. O que ele trouxe para você. Sinta a falta desse espetáculo, que não voltará mais.

Mais um processo se foi, mais um espetáculo, mais um aprendizado...

Sinta-se agradecido por viver de teatro, e sinta-se vivo. =)