"Um caminho que se percorre não com pernas, mas com coração. E onde o único desafio que vale, é percorrê-lo por inteiro."


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Quer

Eu quero
Tu queres
Ele quer
Nós queremos
Vós quereis
Eles querem

Mas quem consegue?
Quem vai conseguir?


A dúvida.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Arte - Por isso é básico

Poema trabalhado na aula de "Estética do Espetáculo" pela professora Tânia.

A obra te retrata, eterniza e angustia
Por isso é universal
Porque o artista eterniza em sua obra
o momento crucial do belo que o homem comum vê passar inerte e com angústia.
Parte é salvadora. Salva a nossa percepção do
Belo Transitório
Podemos não decodificar mas nossa alma capta o essencial.
O olho racional é para a filosofia, mas o discurso poético só pede a emoção.

A arte não tem papel serve simplesmente para humanizar
Por isso é básico.

Erótico é tudo que pulsa vida.

Adélia Prado
Maravilhoso. Fiquei encantada em começar as aulas com esse poema.
Entendê-lo e desfiá-lo.
Em nossa obra nos encontramos, está a nossa essência.
A arte registra de forma bela o comum que o homem não vê.
A arte é transformação. Faz pensar.
Todo ser humano é dotado de emoção.
Por mais que nossa bagagem não decodifique a mensagem, o homem é capaz de sentir.
E nada há de mais puro na vida que sentir, e fazer sentir.
A arte não serve pra muita coisa. Ela humaniza.
E por isso é essencial, básico.
Erótico é tudo que pulsa vida.
Sim... quero arte!
Respirá-la, dançar com ela.
Me modificar e modificar o outro.
Ser a transformação ambulante em busca de perguntas. Respostas.
A fragilidade humana.
O essencial, o básico. O humano.
Que ela me tome e faça de mim o que quiser.
Sou dela, vivo pra ela e por ela.
Ah... arte, existiria mundo sem você?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O andar

Era domingo.
Ensolarado e seco.
Eram 8 horas da manhã.
Silêncio e falta de movimento.

A rua estava deserta, calma.
Domingueira.

Nem os pássaros faziam muito barulho.
Algumas latas de bebida no chão.
Todas as portas da rua se mantinham fechadas, trancadas.
Sonolentas.

Ouve então um barulho curto e normal do cotidiano, mas que tomou uma proporção quase escandalosa naquele deserto domingo matinal.
Uma das portas se abriu.

Até o próprio rapaz pareceu se assustar com o barulho da porta, se abrindo naquela rua tão silenciosa.
A chave rodava para trancar a porta, e o metal brincava de sussurrar segredos pra dentro da casa, foi o que o rapaz pensou.

Olhou com uma expressão quase indefinível para a rua, e começou a caminhar.
Era agradável caminhar na rua sozinho. Domingueira santa.
Gostou de perceber o barulho que seus passos faziam na rua, o que nunca notara antes em meio a tantas multidões.

O rapaz, cabelos úmidos. De quem acabara de tomar banho.
Olhar sereno, semblante simples.
Roupas, calmas, e uma grande mochila nas costas.

Ele escuta novos passos, que vinham do final da rua.
Percebeu a nítida diferença entre o ruído de seus próprios passos e do outro ser.
Embora achava que reconhecia aquele peso nas passadas.
Ele já sabia de quem se tratava.

Um outro rapaz toma a rua em sua direção.
O segundo rapaz. Um pouco mais velho que o primeiro.
Um pouco maior, um pouco bonito.
Cheiro, não muito agradável.
Aparência, fortes olheiras.
Roupas, um tanto amassadas e coloridas.

Eles caminham.
E a caminhada parece durar horas.
O som de cada passo é uma tortura.

Passo.
Passo.
Passo.

A respiração não parece frequente.

Passo.
Passo.

Os dedos da mão parecem dormentes.

Passo.

Encontro.
Eles não trocam palavras.

Param um em frente ao outro e simplesmente se olham.
O momento foi breve, mas para os dois durou uma eternidade.

Afinal, começo de domingo é começo de domingo.
Domingueira insistente.

Nada foi dito.
Tudo foi explicado.
O olhar.
Rapazes.

E os dois voltaram a caminhar.
O segundo rapaz colocou a chave na porta cujo primeiro rapaz havia saído.

Um estranho desconforto no lado esquerdo do peito tomou conta dos dois.

(obs: continuação??? )

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Lista da Normalidade

1- É normal qualquer coisa que nos faça esquecer quem somos e o que desejamos, de modo que possamos trabalhar para produzir, reproduzir e ganhar dinheiro.

2- Ter regras para uma guerra.

3- Gastar anos fazendo uma universidade, para depois não conseguir trabalho.

4-Trabalhar de nove de manhã ás cinco da tarde em algo que não dá o menos prazer, desde que em trinta anos a pessoa consiga aposentar-se.

5- Aposentar-se, descobrir que já não tem mais energia para desfrutar a vida, e morrer em poucos anos, de tédio.

6- Usar botox.

7- Entender que o poder é muito mais importante que o dinheiro, e o dinheiro é muito mais importante que a felicidade.

8- Ridicularizar quem busca a felicidade em vez do dinheiro, chamando-o de "pessoa sem ambição".

9- Comparar objetos como carros, casas, roupas, e definir a vida em função destas comparações, em vez de tentar realmente saber a verdadeira razão de estar vivo.

10- Não conversar com estranhos. Falar mal do vizinho.

11- Sempre achar que os pais estão certos.

12- Casar, ter filhos, continuar juntos mesmo que o amor tenha acabado, alegando que é para o bem da criança (que parece não estar assistindo as constantes brigas).

12a- Criticar todo mundo que tenta ser diferente.

14- Acordar com um despertador histérico ao lado da cama.

15- Acreditar em absolutamente tudo que está impresso.

16- Usar um pedaço de pano colorido amarrado no pescoço, sem qualquer função aparente, mas que atende ao pomposo nome de "gravata".

17- Nunca ser direto nas perguntas, mesmo que a outra pessoa entenda o que está querendo saber.

18- Manter um sorriso nos lábios quando se está morrendo de vontade de chorar. E ter piedade de todos os que demonstram seus próprios sentimentos.

19- Achar que arte vale uma fortuna, ou não vale absolutamente nada.

20- Sempre desprezar aquilo que não foi difícil de conseguir, porque não houve o "sacrifício necessário", e portanto não deve ter as qualidades requeridas.

21- Seguir a moda, mesmo que tudo pareça ridículo e desconfortável.

22- Estar convencido de que toda pessoa famosa tem toneladas de dinheiro acumulado.

23- Investir muito na beleza exterior, e se preocupar pouco com a beleza interior.

24- Usar todos os meios possíveis para mostrar que, embora seja uma pessoa normal, está infinitamente acima dos outros seres humanos.

25-Em um meio de transporte público, jamais olhar diretamente nos olhos de uma pessoa, caso contrário isso pode ser interpretado como um sinal de sedução.

26- Quando entrar no elevador, manter o corpo voltado para a porta de saída, e fingir que é a única pessoa lá dentro, por mais lotado que esteja.

27- Jamais rir alto em um restaurante, por melhor que seja a história.

28- No hemisfério norte, usar sempre a roupa combinando com a estação do ano; braços de fora na primavera (por mais frio que esteja) e casaco de lã no outono (por mais quente que esteja).

29- No hemisfério sul, encher a árvore de natal de algodão, mesmo que o inverno nada tenha a ver com o nascimento de Cristo.

30- À medida que for ficando mais velho, achar-se dono de toda a sabedoria do mundo, embora nem sempre tenha vivido o suficiente para saber o que está errado.

31- Ir a um chá de caridade e achar que com isso já colaborou o suficiente para acabar com as desigualdades sociais do mundo.

32- Comer três vezes ao dia, mesmo sem fome.

33- Acreditar que os outros sempre são melhores em tudo: são mais bonitos, mais capazes, mais ricos, mais inteligentes. É muito arriscado aventurar-se além dos próprios limites, melhor não fazer nada.

34- Usar o carro como uma arma e uma armadura invisível.

35- Dizer impropérios no trânsito.

36- Achar que tudo que seu filho faz de errado é culpa das companhias que ele escolheu.

37- Casar-se com a primeira pessoa que lhe oferecer uma posição social. O amor pode esperar.

38- Dizer sempre "eu tentei", mesmo que não tenha tentado absolutamente nada.

39- Deixar para viver as coisas mais interessantes da vida quando já não tiver mais forças para tal.

40- Evitar a depressão com doses diárias e maciças de programas de TV.

41- Acreditar que é possível estar seguro de tudo o que conquistou.

42- Achar que mulheres não gostam de futebol, e que homens não gostam de decoração e cozinha.

43- Culpar o governo por tudo de ruim que acontece.

44- Estar convencido de que ser uma pessoa boa , decente, respeitosa significa que os outros vão pensar que é fraca, vulnerável, e facilmente manipulável.

45- Estar igualmente convencido de que a agressividade e a descortesia no trato com os outros são sinônimos de uma personalidade poderosa.

46- Ter medo de fibroscopia (homens) e parto (mulheres).

Lista tirada do livro "O vencedor está só", de Paulo Coelho.

- Como somos mesquinhos, cegos e pobres.

sábado, 25 de julho de 2009

Ganhei! Selo Glamour

Que lindo! *-*

Ganhei um selo da Glória do blog "Ideais e alucionações".

Agora as regras:
1. Deve exibir o selinho em seu blog
2. Postar o link do blog que te indicou
3. Listar 5 desejos de consumo que te deixariam mais glamurosa
4. Indicar 10 amigas glamurosas e avisá-las que foram escolhidas
(indicarei 5 e já tá bom! queria indicar rapazes, mas acho que não pega muito bem... rs)



Blog que me indicou:
Ideais e alucinações

5 desejos de consumo:

  • Ter minha própria companhia de teatro (com grana, teatro próprio, e tudo mais)
  • Ter um apartamento em São Paulo
  • Meu famoso carro verde limão
  • Publicar um livro
  • Ser dirigida pelo Zé Celso (rsrsrs)

Meus blogs indicados:

Pequenos Deleites

Blog da Patrícia Andréa

Leituras Urbanas

Pensamentos Soltos ao Vento

Avassaladoras Rio

Indicando estes blogs femininos, descobri que leio muito mais blogs de homens do que de mulheres. Estranho. Serão os homens melhores escritores que as mulheres segundo Lívia Lunardi?

=/

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Menos um sentido

É um caminho que se percorre as cegas.
Não sei aonde ele irá me levar.
Posso chegar no tudo, ou no nada. É um risco.

Já teve essa sensação?
Já experimentou caminhar com os olhos vendados?
Experimento essa sensação constantemente.

E não há saída.
A gente não pode fazer nada.
Apenas continuar a caminhada.

E você caminha porque tem fé.
Fé e realmente muita vontade de chegar lá.
E Voar.

Enquanto isso basta aproveitar todos os momentos e obstáculos que esse caminho coloca na sua frente.
Encarando todos com coragem, e voltando a andar.
Você não enxerga, mas é capaz de sentir.

Sem nenhuma certeza, só com a sensação.
Você continua e se deixa levar.
Porque você sabe, que no final...

Medo? Claro que sim! E muito!
Mas a graça é encarar esse medo com coragem.
E deixar que a coragem fale por você.

Esse caminho é o seu grande desafio.
E vivê-lo não passa de uma grande aventura.
Afinal, o show deve continuar.



Evoé Baco!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Me mate, por favor...

Tem horas que eu fico com muita raiva dessas coisas.
Acabo de ver no site da Uol essa notícia:


Sim... Ratinho Ator!
¬¬
Eu como estudante de Artes Cênicas fico inconformada.
Dedico a minha vida a estudar, me aperfeiçoar e estar pronta pra me desdobrar dentro da atuação, e de repente entra o Ratinho na novela.
Enquanto a gente sofre pra ganhar alguns trocados com uma arte digna, pessoas como ele que nem sequer gostam disso, quanto mais estão preparados para isso, ganham uma bela fortuna lá na televisão.
Tantos bons atores no mundo, que estudam e levam a sério.
Que fazem da sua vida uma constante aventura só para viver com a sua arte.
Fica a minha revolta.

O QUE ESSE POVO PENSA?
QUE QUALQUER UM PODE SER ATOR?
MEU... ISSO É UM TRABALHO!
É DIGNO!

A GENTE ESTUDA PRA FAZER ISSO!
¬¬

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Lembra?


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Ei, lembra daquela vez que inventamos uma dieta super saudável?
Ei, lembra daquela vez que pulei na cachoeira com o celular no bolso?
Ei, lembra daquela vez que montamos um espetáculo infantil em dois dias?
Mal dormimos e ficamos absurdamente doloridos com as acrobacias...

Ei, lembra daquela vez que eu jurei que só me casaria se fosse com Kurt Cobain?
Ei, lembra daquela vez que planejamos todo o nosso futuro?
Ei, lembra daquela vez que roubamos comida da geladeira e saímos correndo?
Ei, lembra daquela vez que dormimos no chão da rua?
Ei, lembra daquela vez que quebramos o espelho do colégio com bexigas d'água?
Ei, lembra daquela vez que bebíamos vinho todo o dia?
Ei, lembra daquela vez quando fomos ao Duque?
Ei, lembra daquela vez que eu fiquei de ressaca no cinema?
Ei, lembra daquela vez que eu falei que seria minha última ressaca?
E lembra que na outra semana já estava eu de ressaca novamente?
Ânsia e dor de cabeça.

Ei, lembra daquela vez que fingimos ser ricos no trem?
Ei, lembra daquela vez que uma criança arrancou meu nariz de palhaço?

Ei, lembra daquela vez em que perdemos o fôlego?
E lembra o quanto gostamos?

Ei, lembra daquela vez que te contei aqueles segredos?
Ei, lembra da cara que você fez?
Ei, lembra daquela vez que eu fui expulsa de casa?
E lembra de como você me ajudou?

Ei, lembra daquele dia que choveu, mas tomamos chuva juntos?
Ei, lembra daquela vez que dançamos para o trem?
Ei, lembra daquela vez que nos escondemos porque não era permitido?
Ei, lembra daquela vez que eu decidi pular de asa delta e fui mesmo?
Ei, lembra daquela vez que vivenciei o céu e o inferno?
Ei, lembra daquela vez que eu quis ter um carro verde limão?
Ei, lembra daquela vez que eu só lia Nelson Rodrigues?
Lembra daquela outra vez que ficamos com fome naquela fila gigante e compramos caixas e caixas e morango pra comer a tarde toda?

Ei, lembra daquela vez que descobrimos que os homens não prestam?
E lembra que em seguida lembramos o porque precisamos tanto deles?
Ei, lembra quando eu não dormia e nem comia só pra terminar o Harry Potter?

Ei, lembra quando viramos a noite ensaiando?
Ei, lembra quando no meio do espetáculo invertemos a ordem das cenas juntas e botamos a culpa no sonoplasta?
Ei, lembra daquela vez inventei de fazer turismo pra amenizar minha decisão?
Ei, lembra daquela vez que jurei nunca desistir?

Ei, lembra daquela vez que te contei que me pegaram no flagra?
E lembra que fiquei uma semana com vergonha por isso?
Ficava quieta e vermelha por tudo.

Ei, lembra daquela vez em que comemos salgadinho com sorteve?
E lembra que a gente gostou?
Salgado doce.
Ei, lembra daquela vez que pintei minha unha de verde?
Ei, lembra daquela vez que você apareceu lá na platéia?
Ei, lembra daquela vez que você me ligou desesperado as três da manhã e eu fiquei conversando com você até o sol nascer?
E lembra daquela outra vez que você fez o mesmo por mim?
Ei, lembra quando eu só matava aulas?
Ei, lembra daquela vez que só os óculos escuros escondiam minhas olheiras?
E eu parecia uma louca com meu óculos gigante pra cá e pra lá.

Ei, lembra daquela vez que eu acordei sem saber onde eu estava ou o que tinha acontecido?
Ei, lembra daquela vez que eu quase morri quando bebi fanta?
Ei, lembra daquela fez que aprendi uma fórmula de física?
Ei, lembra daquela fez que eu parei de roer as unhas?
E lembra que na semana seguinte estava roendo tudo de novo?
Vício, vício.

Ei, lembra daquela vez que eu tentei salvar um passarinho que caiu no chão, e meu cachorro apareceu e agarrou ele?
Ei, lembra daquela outra vez que eu gritei tanto ensaiando e o vizinho foi chamar a polícia?

Ei, lembra daquela vez que pedimos dinheiro no farol pra comprar vinho e smirnoff?
Ei, lembra daquela vez que eu estava sem dinheiro algum e vivi as custas dos amigos?
Lembra daquela outra vez que eu fiz dívidas com todo mundo?
Ei, lembra daquela vez que eu dormi no ônibus e fui parar numa rua deserta junto com um mendigo?
Um cara muito legal.

Ei, lembra daquela vez que o meu coração bateu?
Bateu.
Bateu.

Viveu.

Hey, remember that time when we decided to kiss anywhere except the mouth?

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Um achado sobre arte

O artista é o criador de coisas maravilhosas.

Revelar a arte, esconder o artista é a meta da arte.

O crítico é aquele capaz de traduzir para uma outra maneira, ou para um novo material, sua impressão das coisas maravilhosas.

Tanto a forma mais elevada como a forma mais baixa de crítica é um modo de autobiografia.

Os que descobrem significados feios nas coisas maravilhosas são corruptos deselegantes. Isto é um erro.

Os que descobrem significados maravilhosos em coisas maravilhosas são os ilustrados. Para estes, há esperança.

São os eleitos, para quem as coisas maravilhosas significam apenas beleza.

Não existe isso de livros morais ou imorais. Livros são coisas bem escritas ou mal escritas. É Só.

A antipatia do século dezenove pelo realismo é a fúria de Caliban vendo seu rosto no espelho.

A antipatia do século dezenove pelo romantismo é a fúria de Caliban não vendo seu rosto no espelho.

A vida moral do homem faz parte do tema do artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um meio imperfeito.

Nenhum artista deseja provar coisa alguma. Até mesmo as coisas verdadeiras podem ser provadas.

Nenhum artista possui simpatias éticas. Num artista, a simpatia ética é um maneirismo de estilo, imperdoável.

Não há artista mórbido. O artista pode expressar qualquer coisa.

O pensamento e a língua são, para o artista, instrumentos de uma arte.

O vício e a virtude são, para o artista, matéria de uma arte.

Sob o ponto de vista da forma, o tipo de todas as artes é a arte do música. Sob o ponto de vista da sensação, o ofício do ator é o tipo.

Toda arte é, ao mesmo tempo, superfície e símbolo.

Os que descem além da superfície, fazem-no a seu próprio risco.

É o espectador, e não a vida, que a arte, na verdade, espelha.

A diversidade de opinião, a respeito de uma obra, mostra que a obra é nova, complexa e vital.

Quando os críticos discordam, o artista está em acordo consigo mesmo.



Podemos perdoar um homem por fazer uma coisa útil, desde que ele não a admire. A única desculpa para se fazer uma coisa inútil é que a admiremos com intensidade.




Toda arte é demasiado inútil.



Oscar Wilde - Prefácio do livro "O retrato de Dorian Gray"

quinta-feira, 11 de junho de 2009

As palavras verdadeiras


Tudo era perfeito.
E as coisas pareciam que agora sim iam se encaixar e fazer algum sentido.
Esperei muito tempo por aquilo, e de repente estava ali, bem na minha frente.
Me esperando pra ser feliz.

De repente eu acordei.
E essa realidade me escapou.
Assim como a água em um copo que é simplesmente virado para baixo.
Acabou.

Tornar o sonho realidade nem é tão difícil.
É preciso coragem e só.

Mas foi estranho...
De repente eu tinha tudo, e no instante seguinte não tinha nada.

E a sensação da vida é assim.

Num dia você está feliz, e fica emocionado de ver as árvores enquanto anda pela linda rua.
É dotado de um bom humor exemplar e fica contente em poder ajudar os outros e cumprir suas tarefas sorridentes.
Ri.
Ri demais.

No outro dia você desaba, se irrita, fica triste, não quer viver. Enxerga cinza e odeia seu mundo.
Chora.
Chora muito.

Temos tudo e temos nada.
E é tão relativo.
-
-
-
Mas me diga a verdade, porque tornamos tudo tão complicado?
Podia ser tão lindo. E complicamos.
-
-
E como complicamos.
-
-
-
As palavras mais sinceras são as mais difíceis de sair de nossa boca.
As falsas escapam com facilidade.
Mesmo assim conseguimos. Somos uma mistura das palavras. Verdadeiras e falsas.
-
De dentro e de fora.
Vida.
-
-
-
-
-
Eu te amo. Saiba disso.
Mesmo que não saiba.

sábado, 6 de junho de 2009

Ó Dores, Odores, Dolores

Dolores era uma senhora de vinte e muitos anos.
Viúva. Bonita. Ordinária.
Não aparentava a idade.

Dentre suas peculiares experiências cotidianas, ela adorava pegar ônibus e trens sem destino algum.
Dolores era diferente. Ela não se importava com o destino, ou com o objetivo, e sim com o caminho que a levaria até ele.
Vítima de uma insônia perturbadora, ela não tinha medo de olhar as pessoas nos olhos.
Por onde passava sentia um intimo e estranho prazer em realmente encarar cada um que cruzava seu caminho.

Dolores não tinha amigos. Somente amantes.
E o que ela mais gostava neles, era os respectivos cheiros.
E a desgraça da vida dela é que ela não podia de forma alguma guardar esses cheiros só para ela.
Ela queria que alguém inventasse algo, como caixinhas mágicas que pudessem guardar os cheiros dos mortais, os diferentes gostos.
Odores requintados.
Ela era capaz de passar uma madrugada solitária inteira se revirando na cama, farejando as cobertas e tentando lembrar ou obter algum odor de quem se deseja. Seria melancólico se não fosse pitoresco.

Dolores não gostava de rotina.
Todo dia quando acordava pensava no que ainda não tinha feito na sua vida, que já não teria mais muitos anos em sua opinião.
E o dia se passava na tentativa de realizar o maior número possível de desejos, fossem eles normais, estranhos ou até mesmo condicionados.

Dolores não tinha uma boa imaginação, embora gostaria muito de ter.
Ela as vezes simplesmente se sentava em baixo de uma árvore, e tentava imaginar.
Não conseguia. Sua mente queria apenas novas aventuras, cheiros e amantes.
Odores e paixões.
Clandestina Dolores.

As vezes Dolores com um.
Dois ou três.
As vezes não importava e ela se sentia sozinha.
Com quem ou onde estivesse.
Nessas horas Dolores entrava dentro de seu cérebro e nadava em meio a um rio de lembranças e neurônios. E hipotálomo.
Era praticamente uma máquina do tempo, da vida ou da dor.
Tantas dores, Dolores. Ó dores.

E nessa vida existencial, pontual e colossal ela ia.
Ela não vivia, como dizia: "Me visto e sou, porque aqui ando, falo e estou. A procura daqueles odores e fragmentos de perfumes e flores."
Pobre Dolores. Horrores.

Ó dores.

Odores.

Dolores.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O essencial é não mudar nunca




"Nada a fazer."

"Gente é um bicho muito ignorante."

"Não se pode fazer nada."

"A gente é o que é."

"O essencial é não mudar nunca."


Dois seres.
Olhar morto.
Pessoas estranhas.

Nada a fazer.

Procurar saídas?
Buscar mudanças?
Todo dia é mesma coisa.

Gente é um bicho muito ignorante.

A alienação.
A acomodação.
A infinita espera.

"Não se pode fazer nada."

Todos nós já nascemos mortos.
E nada que façamos mudará isso.
Melhor nos conformarmos e esperarmos.

''A gente é o que é."

E mais um dia nasce.
E mais um dia igual.
E a espera continua.

"O essencial é não mudar nunca."

'' Não vamos perder tempo com discussões inúteis! Vamos fazer alguma coisa, já que temos essa oportunidade. Neste momento, neste lugar, a humanidade inteira se resume a nós, queiramos ou não. Vamos fazer o melhor que pudermos, antes que seja tarde demais! Vamos representar com dignidade, pelo menos uma vez, o papel que um destino cruel nos reservou. O que é que você me diz? É evidente também que, se ficarmos de braços cruzados, sem fazer nada, pensando os prós e os contras, também faremos justiça a nossa condição. Mas a questão não é essa. O que estamos fazendo aqui, essa é a questão. E nessa imensa confusão uma coisa é cristalina: estamos esperando godot."


Será?


* textos com aspas são da peça Esperando Godot, de Samuel Beckett *

sábado, 30 de maio de 2009

Sorri

""Sorri, vai mentindo a tua dor e ao notar que tu sorri todo mundo irá supor que és feliz."

terça-feira, 19 de maio de 2009

Idas e vindas

Rua.
Frio.
Noite.
___________
Passos.
Passos.
Passos.
_________
Casa.
Porta.
Campainha.
____________
Olhar.
___________
Convite.
Sofá.
Vinho.
_____________
Palavras.
Palavras.
Palavras.
____________
Perguntas.
Respostas.
Sentidos.
______________
Desejo.
____________
Bocas.
Roupas.
Um suor.
______________
Dois.
Duas.
Ambos.
______________________________________
Café.
Rua.
Manhã.
____________
Dúvidas.
Dúvidas.
Dúvidas.

domingo, 19 de abril de 2009

Velho gosto

Alta noite já sei ia, e no caminho dela parecia mesmo que ninguém andava.
Mais exatamente meia noite e cinquenta e sete. Esse era o que dizia o relógio na prateleira.

Seus olhos estavam cansados. Tudo era devagar. Tudo era nostalgia.
E a música repetida já soava diferente em cada nota, cada som que saia de um certo piano.
Eram poucas coisas na verdade. Um copo vazio, livros, cadernos e embalagens abertas de comprimidos.
Eram muitos pensamentos na verdade. Amor, futuro, pesares, dores, paixões, cheiros, gostos.
Gosto. E a nostalgia.
E de repente o que já se passara ainda estava vivo. Ali nas lembranças. Junto dela.
Via claramente, sentia e fluia. Entre toques.
Era só. Era só mas era nostalgia.
Era nostalgia por isso era dois.
Ou duas.
Três ou quatro. Gostava de desafios.
Ela ria sozinha observando a rua deserta. O som dos risos ecoavam longe.
Era frio e era nostálgico.
Seu corpo tremia quando o vento cortante chegava. Não só de frio o seu corpo tremia.
Era nostálgico e era gelado. Ou quente por dentro.
Buscou sua jaqueta de guerra. E naquela ação queria ter tido uma epifania. Uma revelação!
Mas não teve. Só a amiga nostalgia. Seria mais bonito dizer que ela finalmente percebeu algo muito importante. Tão importante a ponto de mudar a história ou a compreensão dos fatos. Algo que fosse quase matemático e poético ao mesmo tempo.
Mas não houve nada. Apenas uma velha mesa e uma antiga jaqueta azul.
Retorna aos pensamentos. Os beijos. Ah sim... Os beijos.
Ternos e açucarados. Certa vez amargos.
Ela olha pra frente e quer ver o caminho. Mas a nostalgia a segue. Afoga-a.
Ela espera pelo momento ou pela ação reveladora, que lhe trará novas esperanças. Uma ação de plena convicção, compreensão sobre a vida talvez.

Espera. Espera.
Espera.
.

Não aconteceu esse momento ainda. Ela desiste dele.
Segura sua face entre as mãos.
Sem fôlego.
Se entrega a companheira da noite. Nostálgica nostalgia.
Seus dedos delicadamente tocam a boca. E seus olhos fecham.


Silêncio.

domingo, 12 de abril de 2009

Lívia Vegetariana

Esses dias me peguei olhando o calendário e fiz a descoberta de que faz um ano e um mês que eu não como nenhum tipo de carne.
Sim!!! Só!!!

Fiquei surpresa! Muito surpresa!
Pra mim, é muito difícil acreditar que em alguma época da minha vida eu comia carne diariamente sem nenhum tipo de preocupação ou conhecimento sobre o que eu estava ingerindo, ou que impactos isso causaria a inúmeros animais e ao meio ambiente.
Se eu tenho alguma certeza na minha vida, é de que eu nunca mais voltarei a comer carne.
Na verdade eu estava pensando sobre isso principalmente por causa da sexta-feira "santa". Obviamente, na minha casa foi o típico bacalhau de inúmeros jeitos: cozido, assado, na salada, etc. E como é comum nesses encontros religiosos toda a família veio. Eu cheguei meio atrasada pro almoço, cumprimentei a todos e me coloquei no fogão para fritar alguns bolinhos de soja, fazer uma salada de alface e tomate, e cozinhar alguns pedaços de batata.
Quando e cheguei na mesa com a minha comida não teve outra. Foi o comentário geral! De uma coisa tão simples, na minha família causou o mesmo impacto que se eu tivesse entrado na cozinha totalmente nua dançando flamenco com uma melancia no lugar da cabeça!
E hoje (Páscoa) foi a mesma coisa! Enquanto estavam todos comentando alegremente sobre "comer a coxa do frango", ou "deixa o peito pra mim" ou ainda o "é tia! o bicho é muito grande mesmo!", estava eu novamente pegando a salada de batata e um pouco de macarrão.
Só que agora eu me irritei! Me irritei tanto, tanto, tanto.... Acho que eles nunca conseguiram me irritar tanto em relação a isso!
E eu vou provar! Semana que vem vou marcar um exame de sangue e serei a prova viva de que o ser humano não precisa comer carne para ter os níveis de proteína normais!
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Sobre esse assunto, gostaria de contar como foi que me tornei vegetariana...
Bom, conheci e tive muito contato com alguns amigos meus que era vegetarianos e defendiam essa causa, a Karine por exemplo! (Valeu ká!)
=) E assim minha curiosidade pelo assunto começou a aflorar...
Eu via fotos chocantes nos orkuts deles, e comecei a pesquisar na internet e a conversar com as pessoas sobre isso...
Então eu descobri um site que me ajudou muito! O Vista-se!
Ele tinha todas as informações que eu precisava! Respondia todas as minhas perguntas, dúvidas e afins. Não demorou e me cadastrei no site onde até hoje recebo diariamente as novidades.
Aqui estão algumas imagens de ótimas campanhas:





Pelo site, eu comecei a ter contato com vídeos e imagens disponíveis no youtube. Depois disso peguei com uma amiga emprestado o dvd "Terráqueos" e fiz uma cópia. Eu super recomendo esse dvd, pois ele nos mostra uma verdade que desconhecemos. Ele mudou muita coisa dentro de mim.
E há também um ótimo dvd nacional que se chama "A carne é fraca". Se eu não me engano custa apenas R$15,00 comprando na internet pelo instituto Nina Rosa.
Outros ótimos sites vegetarianos :

Depois de muito perguntar, pesquisar, me informar, encher o saco de vários vegetarianos pela internet eu resolvi simplesmente "tentar".
Acordei um belo dia pela manhã e disse: "Só por hoje eu não vou me alimentar de carne. Só por hoje. Pra ver como seria."
Ótimo! Tomei um café da manhã normalzinho.
E aí chegou o almoço. Lembro que estavam fritando filé de frango quando eu disse que estava fazendo um teste, e não queria comer aquilo naquele dia. Pronto! Falaram um monte mais eu ignorei. Continuei o dia sem absolutamente nenhuma dificuldade. E a janta foi facílima também.
Pronto! Acabou o dia! Foi fácil, simples e diferente do que muitos pensam "indolor"!
Desde aquele dia nunca mais comi carne. E aos poucos fui descobrindo outros sabores! Como a soja, o tofu, legumes e frutas que eu nem sabia existir e muito menos sabia o quanto são saborosas.
Pra mim o mais importante é que você simplesmente se importe. Tenha consciência do que você vai comer e de como isso pode interferir na sua saúde, no seu meio ambiente e principalmente na vida dos animais.

Será que é realmente correto você tirar a vida de um animal para poder comer?
Fazer ele sofrer horrores só pra aumentar o potencial do seu paladar?
Afinal, os animais também querem viver!
O que faz você pensar que a sua vida é mais importante do que a vida deles? Uma vez que eles também tem sentimentos, também sentem dor e tem uma vida assim como você!
Se você compra carne, você paga pela morte daquele animal. Se você tivesse que matar pra comer? Seria vegetariano?







Hoje não como carne, ovos ou tomo leite. Também não compro roupas de lã, couro, peles (com certeza que não!). Deixei de ir a zoológicos, circos com animais, ou de andar a cavalo (coisa que fiz uma vez). Pescaria nunca gostei e continuo não gostando. Te faz mais feliz furar a boca de um peixe? ¬¬

Porém ainda uso alguns derivados. Maionese, queijo, chocolate, massas...
Mas pra mim o importante é que hoje eu tenho consciência do que é, coisa que antes não me importava nenhum pouco.
Aos poucos estou tentando melhorar cada vez mais a minha alimentação, e me sinto muito feliz com isso, agindo de forma mais ética e consciente em relação aos animais.
É um alívio saber que posso me alimentar livremente sem causar mal algum a nenhum animal.

Consciência limpa.

Consciência limpa e olhos abertos.


O que todos deveriam ter.

domingo, 5 de abril de 2009

Esperas

Ainda irão esperar...
A espera gritante
Cortante
Raspante
Que escorria garganta acima
Naquele instante

Não adiantava fazer
Queria era gritar
Chorar, brilhar
Berrar
Cantar
Mas só havia de esperar

Onde, quando, como, porquê...
Nada havia, há de quê
E o ponteiro vai se movendo
E regendo

A espera parecia até cantada
Narrada
Talvez filmada
Ou apresentada

E a gente via...
Eles ainda vão esperar

Agir? Pra quê?
Não. Perigo.
Antes da espera
E eu te digo

Não fazerás
Roubarás
Matarás
Viverás
Consente e aquieta-rás

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Momentos Caetanos

Não sei extamente porque o destino gosta de colocar Caetano Veloso como trilha sonora da minha vida... mas vá lá....
O interessante é que no último dia acabei esbarrando por músicas do Caetano, e como gosto muito dele, decidi colocar aqui no blog como registro.
Na verdade o fato de eu gostar de Caetano Veloso faz parte das normas musicais que fui criada, ou mais explicitamente dizendo ''Meu pai me obrigava a ouvir.''
Sou grata por isso, afinal é uma coisa que hoje gosto muito.

Mas uma coisa tem que ser dita (ou escrita no caso): que eu era a única menina na terceira série que ouvia Caetano Veloso, Rita Lee e andava com um belo livrinho do Paulo Coelho na bolsa eu era sim....

Canto de um povo de um lugar

Todo dia o sol levanta
E a gente canta
Ao sol de todo dia

Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
Porque finda a tarde

Quando a noite a lua mansa
E a gente dança
Venerando a noite

Pipoca moderna

E era nada de nem noite de negro não
E era nê de nunca mais
E era noite de nê nunca de nada mais
E era nem de negro não
Porém parece que hágolpes de pê, de pé, de pão
De parecer poder(E era não de nada nem)
Pipoca ali, aqui, pipoca além
Desanoitece a manhã
Tudo mudou

Leãozinho

Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho

Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho

Um filhote de leão raio da manhã;
Arrastando o meu olhar como um ímã...
O meu coração é o sol, pai de toda cor;
Quando ele lhe doura a pele ao léu...

Gosto de te ver ao sol, leãozinho
De te ver entrar no mar
Tua pele, tua luz, tua juba

Gosto de ficar ao sol, leãozinho
De molhar minha juba
De estar perto de você e entrar numa

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Sê feliz? Pode comprá!

(Leia pausadamente)

''Minha senhora, meu senhor...
Desculpe estar atrapalhando sua viagem neste blog nesse momento.
Eu podia estar matando.
Eu podia estar roubando.
Eu podia estar traficando.
Mas não!
Estou aqui pedindo um minuto de sua atenção.
Estou aqui para conversar um minuto com vocês e vender para que eu possa me sustentar.
Estou agora vendendo felicidade.
Meus amigos, se alguém quiser comprar a felicidade para me ajudar, por favor, fique a vontade.''

Dias conturbados. Meus dias são sempre assim. Conturbados.
Mas esse mês eu me fiz uma pergunta da qual achei que sempre soubesse a resposta.

''Dinheiro compra felicidade?''
Eu sempre respondi: Claro que não! Dinheiro não compra e nem é sinônimo de felicidade pra mim''.

Não é segredo para ninguém que eu tenho o meu lado ''hipponga'' bem aguçado. E não é muito difícil me ver com um chinelo e um vestidinho estampado ouvindo Raul e dizendo: ''Paz e amor, bicho!'' Ou então pousando para uma foto com os dois dedos da mão para cima... ''Paz e amor!''.

Mas final, dinheiro compra ou não compra felicidade?
Ultimamente não pude deixar de reparar que se tivesse mais dinheiro acho que seria bem mais feliz. Pelo menos nas atuais circunstâncias.
Se eu tivesse mais dinheiro, não estaria indo para faculdade com um peso gigantesco nas costas... um peso que custa pra mim e para o meu querido pai grandes parcelas mensais (por assim dizer).
É claro que é um absurdo! E é claro que estou ralando e fazendo o possível e o impossível para conseguir a tão querida bolsa de estudos.

E se eu tivesse mais dinheiro?

Se eu tivesse dinheiro, além de tirar o tal ''peso'' das costas eu estaria fazendo um belíssimo curso de teatro musical. E isso me faria feliz. Matematicamente falando, nesse caso: DINHEIRO TRARIA A FELICIDADE.

Se eu tivesse dinheiro eu já teria voltado a estudar musica, piano e violão. E isso me faria feliz. E mais uma vez, nesse caso: DINHEIRO TRARIA A FELICIDADE.

Mas eu estou tão impressionada comigo mesma, que mal posso acreditar que estou escrevendo isso agora, afinal, nunca acreditei que dinheiro traria felicidade. E sempre achei que devemos sempre ser felizes com aquilo que temos.
Sonhar? Melhorar? Correr atrás? Claro que sim! Mas sendo felizes no aqui e no agora da forma que for.

Mas vendo por outro lado, eu sou feliz.
Tenho amigos ao meu lado. E o dinheiro não os trouxe até mim.
Tenho uma família comigo. E o dinheiro não os trouxe até mim.
Tenho saúde. E o dinheiro não trouxe isso até mim.

Dinheiro.
Na minha opnião a grande merda da humanidade.
Desde que tem havido dinheiro tem havido mortes e desgraças em nome dele.

Sou feliz e sou agora. Com dinheiro ou sem dinheiro.